Eles se compadecem do homem que sofre
Porque ele canta
Mas não se compadecem de Amaranta, que sofre,
Porque ela tece obstinada e silenciosamente
Teu sofrimento é maior, Amaranta, porque
Surdo, arde mudo dentro de um coração
Livre do movimento vingativo
Da música tocada pelos dedos brancos
Do amor egoísta
Teu sofrimento é maior, Amaranta, porque
Carrega nele a paciência periódica dos anos sem pausa
Sem pausa os anos,
Sem pausa teu duro sofrimento
Que a pequenos goles de acréscimo pelos anos cresce
Teu sofrimento é maior, Amaranta, porque
Tua solidão é tamanha que
As amizades tornam-se as melhores possíveis
E extrais delas o que podes extrair delas
E o que não podes extrair delas
Nelas deixas escapar um suspiro, por ti, que
Nunca suspira, e só permite te porem nas mãos
As ataduras que pela eternidade
Protegerão inutilmente a tua pele
Ultra-sensível, queimada
Pelo fogo que te consome
"Não ouves a bela música?"
"O que me importa?
Não a haveremos de ouvi-la nunca mais.
Deitarei sob uma árvore anciã
E nela também, eu sei, me deixarei
Futuramente, como tem de ser,
Iniciando nesse instante,
Ser carregada pelas formigas,
Com seu labor cotidiano incessante
Como uma longa prece abençoante
Irresistente, ante o irrefreável."